Descarte de medicamentos vencidos na drogaria

23/02/2026

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Você sabia que medicamentos vencidos no estoque da farmácia podem gerar multas e até risco de detenção? O descarte de medicamentos vencidos não é apenas uma questão ambiental, mas também uma necessidade financeira urgente. A competitividade do ramo farmacêutico não permite gastos desnecessários, e nos EUA, estima-se que as perdas de produtos causem prejuízos da ordem de US$ 30 bilhões por ano.

Aqui no Brasil, a média das perdas nos segmentos alimentar, vestuário, farmacêutico e atacadista de autoserviço chega a 1,74% sobre a receita líquida. Portanto, implementar um sistema eficiente para o descarte correto de medicamentos vencidos é essencial. A maioria dos medicamentos é perecível ou tem um prazo curto de validade, o que torna ainda mais importante ter um processo estruturado para a caixa para descarte de medicamentos vencidos em sua farmácia. Afinal, qualquer inconsistência pode gerar, além do impacto financeiro, problemas graves para os pacientes.

Neste guia prático, vamos compartilhar nossas melhores estratégias para o descarte de medicamentos vencidos em farmácias, explicando passo a passo como realizar este processo seguindo as normativas da RDC sobre descarte de medicamentos vencidos. Assim, você poderá não apenas evitar prejuízos financeiros, mas também contribuir para a proteção do meio ambiente e a segurança dos consumidores.


Por que o descarte correto de medicamentos vencidos é importante

O descarte incorreto de medicamentos representa um sério problema de saúde pública e ambiental. Anualmente, aproximadamente 14 mil toneladas de medicamentos vencem sem utilização no Brasil, com cerca de 30 mil toneladas sendo descartadas pelos consumidores. Ainda mais alarmante, cerca de 20% de todos os medicamentos comercializados no país acabam sendo descartados inadequadamente.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os medicamentos são classificados como resíduos do Grupo B, que contêm produtos químicos potencialmente perigosos para a saúde pública e o meio ambiente. Quando descartados incorretamente, esses produtos podem contaminar lençóis freáticos e mananciais, comprometendo a qualidade da água que abastece a população.

A contaminação ambiental é particularmente preocupante, pois um único quilo de medicamento pode contaminar até 450 mil litros de água. Em contrapartida, uma sacola de medicamentos descartada corretamente pode evitar a poluição de até 16 mil litros de água.

Entre os medicamentos mais problemáticos estão antimicrobianos, hormônios, antineoplásicos, imunossupressores, digitálicos e antiretrovirais. Os antimicrobianos, frequentemente encontrados em efluentes de Estações de Tratamento de Esgoto, promovem o desenvolvimento de bactérias resistentes. Já os anticoncepcionais contêm interferentes endócrinos que podem causar alterações fisiológicas em espécies aquáticas, como a feminização de peixes.

Desde 1996, os medicamentos vencidos são a principal causa de intoxicações no país, evidenciando que o descarte correto não é apenas uma questão ambiental, mas também uma urgente necessidade de saúde pública.


Como identificar e separar medicamentos para descarte

Identificar corretamente medicamentos para descarte é o primeiro passo para garantir um processo seguro e ambientalmente responsável. Primeiramente, verifique com frequência a data de validade dos medicamentos, tanto em casa quanto no ambiente da farmácia. Esta é uma prática fundamental para evitar riscos à saúde pública e ao meio ambiente.

Em seguida, separe adequadamente os diferentes tipos de medicamentos vencidos, como pomadas, cartelas de comprimidos, vidros de xarope e sprays. Mantenha-os sempre longe do alcance de crianças durante todo o processo de separação. Adicionalmente, é essencial observar não apenas a data de validade, mas também o aspecto do medicamento e a integridade da embalagem.

Além da data de vencimento, os medicamentos devem ser separados para descarte quando apresentarem aspecto suspeito ou tiverem sido acondicionados inadequadamente, ignorando recomendações sobre temperatura e umidade. O mesmo vale para produtos com embalagens violadas.

Vale ressaltar que o descarte adequado evita que medicamentos alcancem o meio ambiente, prevenindo a poluição do solo e das águas. Portanto, nunca descarte medicamentos vencidos em pias, vasos sanitários ou no lixo comum.

O descarte correto das embalagens também merece atenção especial. Caso não estejam contaminadas, basta descaracterizá-las fisicamente e destiná-las à reciclagem. Por outro lado, embalagens contaminadas devem seguir as mesmas regras de descarte da substância contaminante.

No primeiro ano de implementação do Sistema de Logística Reversa, já foram recolhidas 300 toneladas de medicamentos vencidos, demonstrando a importância deste processo para a sustentabilidade ambiental.


Passo a passo para o descarte de medicamentos vencidos em Farmácias

A implementação de um sistema eficiente para o descarte de medicamentos vencidos exige procedimentos específicos que toda farmácia deve seguir. De acordo com a regulamentação federal, farmácias e drogarias devem disponibilizar pelo menos um ponto fixo de recebimento para cada 10 mil habitantes, tornando-se parceiras fundamentais no sistema de logística reversa.

O processo de descarte correto segue estas etapas:

  1. Instalação do ponto de coleta: Adquira uma estação coletora dentro das normas de segurança. As caixas devem ser feitas de material resistente como poliestireno, com medidas adequadas e devidamente identificadas.

  2. Recebimento dos medicamentos: Aceite medicamentos vencidos ou em desuso trazidos pelos consumidores, mantendo o ponto sempre visível e acessível.

  3. Armazenamento temporário: Acondicione os medicamentos em sacos plásticos resistentes ou recipientes específicos para resíduos químicos. Após preenchidos, os recipientes devem ser lacrados, pesados e etiquetados.

  4. Separação do estoque vencido da drogaria: Os medicamentos vencidos do próprio estoque devem ser retirados da área de venda e identificados como “VENCIDO – AGUARDANDO DESTINAÇÃO”, permanecendo em local segregado.

  5. Gerenciamento de medicamentos não controlados: Medicamentos comuns vencidos do estoque não exigem planilha detalhada. Devem ser armazenados corretamente e destinados à empresa licenciada, mantendo-se o certificado de destinação.

  6. Gerenciamento de medicamentos controlados: Para medicamentos sujeitos à Portaria 344/98, é obrigatória a emissão de planilha contendo nome do medicamento, lote, número do MS, quantidade e data. O farmacêutico responsável deve imprimir e assinar esta planilha.

  7. Coleta pela empresa especializada: A coleta é realizada por empresa de incineração ou tratamento de resíduos de saúde licenciada junto à Vigilância Sanitária municipal. No caso dos controlados, a empresa confere e assina a planilha. Em seguida, o(a) farmacêutico(a) lança os medicamentos controlados como PERDA no SNGPC.

  8. Destinação final e arquivamento: A empresa realiza a destinação adequada (geralmente incineração) e emite certificado de destinação final. Toda documentação deve permanecer arquivada para apresentação em inspeções sanitárias.


Conclusão

O descarte correto de medicamentos vencidos representa, portanto, uma responsabilidade essencial para toda farmácia. Durante este processo, conseguimos não apenas cumprir as regulamentações da Anvisa, mas também proteger ativamente nosso meio ambiente de contaminações severas que afetam água, solo e saúde pública.

Ademais, a implementação de um sistema eficiente para gerenciamento de medicamentos vencidos resulta em benefícios financeiros significativos. Os prejuízos causados pelo descarte inadequado ou pela má gestão de estoque podem ser drasticamente reduzidos através das práticas que apresentamos neste guia.

A logística reversa funciona como uma ferramenta poderosa que todas as farmácias devem adotar. Esta prática não apenas demonstra responsabilidade socioambiental, mas também constrói uma imagem positiva perante os consumidores, cada vez mais conscientes sobre questões ambientais.

Certamente, o futuro do setor farmacêutico depende de práticas sustentáveis como estas. Os pontos de coleta instalados nas farmácias já mostram resultados impressionantes, com centenas de toneladas de medicamentos sendo descartados adequadamente a cada ano.

Por fim, lembramos que o descarte correto vai além da simples conformidade legal – trata-se de um compromisso com a sustentabilidade e com a saúde pública. Nossas ações individuais, quando somadas, fazem uma diferença significativa para nosso planeta e para as gerações futuras. A adoção destas práticas responsáveis não apenas evita problemas legais, mas também posiciona sua farmácia como um agente de transformação positiva na sociedade.